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Entrevista com Kenni Rogers, da Mostra Literatura Paraná

12/07/2018

Entrevista com Kenni Rogers, da Mostra Literatura Paraná

Organizador da Mostra Literatura Paraná conta como conseguiu patrocínio para o projeto e dá orientações sobre como captar recursos para projetos de leitura. A iniciativa incentiva a leitura com obras de autores paranaenses e presença de escritores para transformar a vida de jovens em situação de vulnerabilidade social. Rodas de leitura, intervenções poéticas, bate-papo com escritores, sessão de autógrafos, oficina de leitura de gêneros literários e oficina de ilustração de histórias em quadrinhos. Veja o que ele disse: De que forma os apoiadores contribuem para a sustentabilidade e a expansão da iniciativa? A Mostra Literatura Paraná é um projeto de formação de leitores por meio da promoção e valorização da literatura regional. Amplas ações, como oficinas, rodas de leitura, bate-papo com escritores, cortejo literário, apresentações de música, teatro, fotografia, grafite, colagem... apresentam o prazer da Literatura, da palavra, da comunicação, da expressão, da Língua.Diversas expressões e manifestações compõem a programação para tornar-se atrativo, convidativo e proporcionar atividades aos mais diversos gostos. Assim, tira a leitura da formalidade excessiva e a coloca em meio a tudo, na rua, inclusive.

E para ler, precisa-se do livro. Os apoiadores, como Fundação Cultural de Curitiba e o Programa Curitiba Lê, e a Freguesia do Livro, disponibilizaram mais de 2000 exemplares de livros, entre didáticos,  literários, adultos e infantis, que foram distribuídos ao longo de agosto e setembro de 2017 nas 4 comunidades em que o projeto esteve inserido na capital paranaense. E mais: centenas de exemplares do Jornal Rascunho, Jornal Cândido e Jornal Relevo foram também entregues à comunidade.

Assim, a expansão do acesso, da democratização ao livro, da leitura, se fez possível por meio dos apoiadores, que se juntaram ao Projeto para unir forças e alterar a realidade de quem não tem um livro ou jornal em mãos, por não se sentirem pertencente aos espaços públicos, como uma Biblioteca, por exemplo. O livro, a leitura foi até eles.

 Como o projeto conseguiu o apoio ou o patrocínio que recebe?

O Projeto foi inscrito e aprovado através de Lei de Incentivo, no aEdital Mecenato Subsidiado da Fundação Cultural de Curitiba / Prefeitura Municipal de Curitiba. Teve seu incentivo total pela empresa Ademilar Consórcio de Investimento Imobiliário, que realizou o Circuito Cultural, com diversos projetos, inclusive a Mostra Literatura Paraná, um dos mais impactantes do Circuito em 2017.

 Pode compartilhar essa experiência sobre como preparar o projeto para captação de recursos?

O Projeto deve ser pensado no sentido de mudança, não de status. Pensar num projeto que possa ser interessante para a empresa, é comercializar o produto, e isso não é produzir arte, transformação. Uma pergunta é: O projeto deve mesmo ser feito? Por quê? Tendo vários questionamentos resolvidos e dissolvidos pelo próprio projeto, base de pesquisa e mapeamento concretos, equipe de inovação e proposta de evolução do Ser e da Sociedade, o projeto por si terá sua visibilidade e despertará interesses. E o mais importante: deve ser pra todos, independente de onde esteja inserido. Pensar o Público. No caso específico da Mostra: havia o escritor e a pessoa em situação de vulnerabilidade ou em situação de de rua, indistintamente, sentados lado a lado, numa cadeira igual, na pracinha, na rua...

 Quais orientações você daria para organizadores de projetos de leitura que queiram começar a captar recursos ou buscar patrocínios?

Somos sim um país de leitores! Para projetos de leitura, sugiro potencializar a democratização, o acesso. Só não lê quem não tem o livro (claro, há muitos outros fatores a serem discutidos neste ponto, mas deu pra entender, né!). E ainda: sair um pouco do blá blá blá do poder da leitura de ampliar vocabulário, aumentar a criatividade, expandir horizontes, viajar sem sair do lugar... O lance maneiro é focar na Língua, no sistema linguístico, na comunicação, na expressão, no poder da palavra. Como escritores e diferentes tipos de textos usam a palavra para construir narrativas, provocar sensações, emoções, fluxo, velocidade, tempo, espaço? A palavra, a escrita, a oralidade deve estar em uso. Sim, há situações em que a norma é requisitada, como em um documento, discurso... Mas também há as variantes linguísticas e a liberdade poética. Quais são estes lugares? A palavra, seus pesos e usos. Através da democratização é que se vivencia experiências, olhares e se amplia o acesso ao conhecimento, à informação, ao uso da Língua como pertencente ao Indivíduo. Viva a poesia!



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