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Entrevista sobre Leis de Incentivo, com Maria Aparecida Lamas

17/07/2018

Entrevista sobre Leis de Incentivo, com Maria Aparecida Lamas

A coordenadora Pedagógica do Instituto Fernand Braudel e responsável pelo Programa Círculos de Leitura, vencedor do Prêmio IPL 2017, dá orientações importantes para organizadores de projetos de leitura que pretendem financiar ações com leis de incentivo à cultura A capacidade de leitura e reflexão constitui-se uma habilidade essencial ao exercício da cidadania. Avaliações nacionais e internacionais demonstram a grande dificuldade que as escolas enfrentam para formar leitores competentes para compreender, contextualizar e correlacionar ideias. Os Círculos de Leitura apresentam uma metodologia consolidada na formação de leitores, em mais de 60 municípios. Envolve a formação de professores e jovens mediadores de leitura. Possui parcerias com poder públicos e apoio técnico e financeiro com diversos institutos e empresas, demonstrando potencial de sustentabilidade e replicabilidade. Além de incentivar a leitura tem como desdobramento o protagonismo juvenil e cidadão. “E a metodologia é muito simples, os jovens aprendem a se ouvir e a ouvir o livro e aprendem as grandes lições que os livros têm para nos passar”, diz Maria Aparecida. Em entrevista para a Plataforma Pró-Livro, ela conta como o Instituto capta recursos fundamentais para a manutenção e a ampliação do Círculos de Leitura. Veja o que ela disse: De que forma os apoiadores contribuem para a sustentabilidade e a expansão da iniciativa? Felizmente, temos apoiadores que contribuem de diversas formas, o nosso principal apoiador atualmente é a Fundação Itaú Social, que além de oferecer aporte financeiro, nos ajuda a pensar as estratégias, no que tange à formação de professores na metodologia dos Círculos de Leitura. Isso é muito importante, pois o professor parceiro é uma figura fundamental para a continuidade e expansão do Programa nas escolas, apoiando o trabalho dos alunos, fazendo a ponte com a direção da escola e também cuidando para que todo ano ocorra a formação de novos multiplicadores. Mas temos também apoiadores que ajudam fornecendo passagens aéreas, como a Avianca, para a equipe se deslocar para outros estados, principalmente o Ceará, onde temos o maior número de escolas participantes (104 em 64 municípios do estado). Até o começo deste ano, contávamos com uma transportadora que levara gratuitamente o material para o Ceará, infelizmente, em razão de mudanças internas, houve a descontinuidade do apoio e no momento buscamos uma outra transportadora que possa nos ajudar nesse sentido. Além disso, recebemos apoio financeiro de empresas e também de pessoas físicas. Com a atual situação do país, é muito difícil conseguirmos captar todos os recursos necessários com apenas um ou dois apoiadores, então, buscamos somar as ajudas de todos que estejam dispostos a colaborar, seja com recursos, trabalho voluntário, logística etc. Porque, às vezes, uma empresa ou pessoa quer ajudar, mas não dispõem de muitos recursos, mas toda ajuda é bem-vinda. E assim, tornamos possível a continuidade do trabalho, mas não é fácil, é necessário muita resiliência e persistência! Como o projeto conseguiu o apoio ou o patrocínio que recebe? O programa Círculos de Leitura já existe há 18 anos e, ao longo desse período, muitas empresas e fundações contribuíram com nosso trabalho. Na verdade, nosso principal marketing é a reputação construída ao longo desse tempo, o reconhecimento do nosso trabalho e dos resultados alcançados. Temos muitos jovens, que hoje são adultos bem-sucedidos profissional e pessoalmente e que são nosso cartão de visitas. Mas a busca de recursos é algo cotidiano, estamos sempre à procura de empresas e fundações para apresentar nosso trabalho e propor parceria. Essa é a realidade do terceiro setor, algumas poucas instituições no Brasil conseguem ter recursos para longo prazo, a maioria trabalha com orçamentos anuais. Além disso, também trabalhamos com projetos para captação via leis de incentivo fiscal como Rouanet, PROAC e outros. Na verdade, essa tem sido a forma preferencial de colaboração das empresas atualmente.  Nosso foco sempre foi a educação pública, mas é sabido que o orçamento da grande maioria dos municípios e estados estão negativos, desta forma, buscamos os recursos na iniciativa privada, para realizar o trabalho em escolas públicas. Os municípios ou estados contribuem oferecendo contrapartida de logística, estrutura e de pessoal (principalmente professores parceiros). Poderia compartilhar essa experiência sobre como preparar o projeto para captação de recursos? Em nossa experiência, verificamos que um projeto, quanto mais claro e sucinto, melhor. As empresas e fundações querem poder ler rapidamente e já conseguir identificar: 1. Qual é a proposta do projeto; 2. Qual o perfil do público beneficiado (e escala que se pretende alcançar); 3. Que contrapartidas a ONG tem a oferecer; 4. Qual o aporte necessário (com um orçamento detalhado), 4. Quais as etapas de realização (prazo de realização). A experiência que a ONG já possui na realização daquele tipo de trabalho, oferecer valores compatíveis com o mercado, na elaboração do orçamento, são questões que são importantes para aprovação do projeto.  E no caso da Lei Rouanet, o projeto, antes de tudo, tem que ter eminência cultural. Porém, a escrita do projeto não é a parte mais difícil; atualmente possuir projetos inscritos para captação via leis de incentivo fiscal é pré-requisito para qualquer instituição do terceiro setor, por isso existe muita concorrência, então a parte mais trabalhosa é a captação. Algo importante nesse momento é, antes de sair em campo, tentar filtrar e selecionar empresas que já possuam um histórico de apoio a projetos similares ao que estamos oferecendo.  No nosso caso, buscamos empresas e instituições que priorizem projetos voltados à cultura e educação, com continuidade. Este ano, estamos lançando um livro que conta um pouco da história de 18 anos de existência dos Círculos de Leitura, um projeto que foi viabilizado via Lei Rouanet, com apoio das empresas Águas Guariroba, Prolagos e Águas de Matão. Quais orientações você daria para organizadores de projetos de leitura que queiram começar a captar recursos ou buscar patrocínios? Atualmente existem muitos bons profissionais especializados em elaboração de projetos no mercado e, no princípio, contar com assessoria  no ramo é muito importante. Como atualmente existe muita oferta de projetos, é interessante que as organizações procurem conhecer bem as leis de incentivo fiscal, em segundo lugar, se possível, procurar profissionais no mercado especializados na elaboração de projetos e, com tempo, procurar formar entre os próprios colabores, pessoal especializado na elaboração de projetos.



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